Você é professor desde que se conhece por gente. A sua ambição profissional parou por aí (é o meu caso). Um dia, a vida cobra de você todos os minutos de caneta, de tesoura, de cola, de digitação, xeroxes,de noites perdidas para término daqueles relatórios, provas, etc, que executamos ao longo dos anos. À procura do médico, constatamos que estamos doentes: é preciso readaptar-se! Pior: colocar-se à disposição do INSS (desesperador). Então, você olha pra todo o caminho percorrido (puxa, só aprendi a dar aulas!) e se imagina fora do trabalho, com contas para pagar, remédios para comprar... Enfim, você se decide pela readaptação. Neste momento, então veremos como somos tratados: perdemos nosso espaço; ficamos a mercê de pessoas autocráticas na escola que desejam imbuir-nos de tarefas extras ou, até de suas próprias funções... O sentimento simbólico é como se fossêmos passarinhos sem ninhos, expostos ao perigo. O nosso problema? Ah, esqueceram!" Estão sem fazer nada!" Julgam a todos igualmente. Dificilmente, param para refletir sobre esta pessoa que saiu de sua sala de aula por motivos obvios; porque você trabalhou vinte e tantos anos e só agora TEVE que parar...O apoio vira uma perseguição verbal de cobranças, e o que deveria ser um tempo para melhorar do problema, vira-se outro problema, até que se resolva a decidir-se pela segunda opção ( o INSS). O sistema público deveria ter melhores políticas públicas voltadas para as pessoas que precisam se afastar de suas atividades laborativas por tempo médico prescrito; e que cada função atribuída fosse de acordo com a necessidade desse profissional. O sindicato pensa também assim e já levantou estas questões com os envolvidos que respondem pelas decisões públicas no nosso municipio. É preciso olhar cada pessoa com um olhar novo, e apontar a melhor solução. Quando precisamos sair da sala de aula, não deixamos de ser educadores. Precisamos ser respeitados, sem fazer valer a autoridade do direito. É preciso ouvir cada um. Não há pessoa em sã consciência que queira desfazer sua vida profissional. Tudo tem seu tempo e é preciso aproveitar o tempo de cada um. No meu caso, decidi que esta "licença" será muito breve. Um abraço
Nenhum comentário:
Postar um comentário